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sábado, 1 de outubro de 2011

Saiba como investir na bolsa de valores com segurança e sem risco total de perdas.

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Que o investimento em ações é sempre considerado de risco ninguém discute.

Entretanto, mesmo dentro do universo de renda variável, é possível procurar por ações que sejam mais “seguras” e que sofrem menos com as quedas do mercado, de acordo com especialistas.

O analista da Futura Investimentos, Adriano Moreno, ressalta que uma das maneiras de se “proteger” um pouco em momentos de crise é adquirir ações de empresas que pagam bons dividendos.

Desta maneira, o investidor garante um rendimento por meio dos proventos, mesmo que o papel não tenha um desempenho tão significativo.

Além disso, de maneira geral, as ações de empresas pagadoras de dividendos costumam oscilar menos, tanto quando a tendência da bolsa é recuar, quanto quando a tendência é subir.

Para se ter uma ideia, desde a sua criação pela BM&FBovespa, no dia 2 de maio deste ano, o IDIV (índice de dividendos) registrou desvalorização de 2,06% (até fechamento desta quinta-feira – 29).

No mesmo período, o Ibovespa (principal índice da bolsa brasileira) acumula queda de 19,28%.

“As ações de empresas que são boas pagadoras de dividendos oscilam menos. Geralmente são empresas com um fluxo de caixa mais estável e com menos necessidade de investimentos”, afirma Moreno.


Setores

O sócio-diretor da AZ Investimentos, Ricardo Zeno, concorda e acrescenta que as empresas de setores como o de energia e de telecomunicações são as que mais costumam pagar proventos para os seus acionistas e cujas ações possuem menor volatilidade.

“Se olharmos o índice de volatilidade, vemos Cesp (Companhia Energética de São Paulo), Cemig (Companhia Elétrica de Minas Gerais) com muito menos volatilidade do que companhias como GOL e Lojas Renner, por exemplo”, diz Zeno.

Ele ressalta que estes setores são conhecidos por serem inelásticos, ou seja, por mais que a economia enfrente problemas, a demanda por energia e outros serviços públicos não é tão afetada como acontece com outros setores.

“Tanto em momentos de retração quanto de expansão econômicas, as pessoas continuam necessitando de serviços essenciais”, ressalta Zeno.

Segundo Zeno, em momentos como agora, com muita instabilidade internacional, as ações de empresas com atividades ligadas às commodities também costumam sofrer mais, por conta das oscilações das matérias-primas no mercado internacional.

Prova disso é o desempenho dos papéis da Vale. No acumulado do ano, as ações ordinárias da mineradora (VALE3) acumulam queda de 17,87%, enquanto os preferenciais classe “A” (VALE5) perderam 13,69%.

Com a Petrobras a desvalorização é ainda maior: 29,18% das ordinárias (PETR3) e 26,92% das preferenciais (PETR4).


Small Caps

O sócio diretor da AZ lembra que, se mesmo em tempos de calmaria nos mercados, investir em ações de segunda linha é mais arriscado, em momentos de crise e incertezas, os riscos são ainda maiores.

Isto porque estas ações possuem liquidez menor e costumam ter uma volatilidade bastante acentuada. “Se os papéis considerados de 1ª linha já estão oscilando bastante, imagina o dessas empresas.

O risco é muito maior”, afirma.

Ao mesmo tempo, quanto maior o risco, maior também pode ser o retorno.

“O beta dessas ações tende a ser ainda mais agressivo”, diz Zeno.


O beta da ação

Beta é o coeficiente que mede a sensibilidade de um ativo em relação ao comportamento do mercado.

No Brasil, o beta tem como referência o Ibovespa e a relação de paridade entre a ação e o benchmark (índice de referência) se dá com beta igual a 1.

Se o beta da ação for 2, por exemplo, ele é considerado “agressivo” e a tendência é que aquele ativo reaja duas vezes mais forte do que o mercado.

Por exemplo: se o Ibovespa cair 1% e o beta da ação for 2, a tendência é que aquela ação recue 2%.

O mesmo vale se o índice de referencia subir: neste caso, espera-se que a alta seja em dobro.

“O cálculo do beta é feito por meio de algoritmos complexos, mas a maioria das corretoras disponibiliza este coeficiente para os clientes”, ressalta Moreno, da Futura Investimentos.


sexta-feira, 30 de setembro de 2011

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) cai cerca de 2% nesta sexta e perde mais de 7% em setembro.

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A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) encerrou o pregão desta sexta-feira (30), último do mês e do trimestre, em queda de praticamente 2%, puxada pela crise da dívida soberana na Europa e pelas incertezas sobre o crescimento econômico global.

O Ibovespa caiu 1,99%, aos 52.324 pontos.

O volume financeiro foi de R$ 6,43 bilhões.

Com isso, o principal indicador do mercado acionário brasileiro fechou setembro com queda de 7,38%.

No ano, a desvalorização atinge 24,5%.

De julho a setembro, a desvalorização do Ibovespa foi de 16,15%. É o pior desempenho trimestral desde o final de 2008, quando o mercado ressentia a quebra do banco norte-americano Lehman Brothers.

No exterior não foi diferente. Os principais índices acionários de Nova York e na Europa também amargaram no trimestre as piores perdas em três anos.


Cautela

Depois de cair nos seis últimos meses, o mercado local pode subir em outubro e até dezembro, avaliam profissionais. A cautela, contudo, ainda é palavra de ordem.

"Esse último trimestre deve ser mais positivo para a bolsa. Os governos e os bancos centrais do mundo vão ter que agir mais do que fizeram até agora, e o mercado pode melhorar", afirmou o diretor da Ativa Corretora, Álvaro Bandeira.

O estrategista-chefe da CM Capital Markets, Luciano Rostagno, acredita que boas notícias devem vir da Europa em outubro, aliviando o comportamento das bolsas.

"A expectativa é de que a Grécia receba parcela de empréstimo e que as autoridades consigam avançar em um acordo para blindar os bancos europeus.'

Rostagno considerou que a bolsa brasileira já está muito descontada e que só com um "evento catastrófico, como a quebra de um banco", o Ibovespa cairia abaixo dos 50 mil pontos.

Ainda assim, há quem esteja mais pessimista e não descarte um novo mês de queda na Bovespa, como é o caso da chefe de gestão de fortunas da Mirae Securities, Luciana Pazos.

"É difícil trabalhar com um cenário de recuperação. É preciso medidas mais concretas (para evitar a recessão), principalmente na Europa", afirmou. "Não descartamos uma nova queda e trabalhamos com um cenário mais negativo que positivo."

Além da Europa, Luciana lembra que a situação econômica nos Estados Unidos preocupa, principalmente o mercado de trabalho e a alta taxa de desemprego, que afetam o consumo local, o principal "motor" da economia norte-americana.

No lado positivo, Luciana destaca a expectativa de redução do juro no Brasil. "Se não houver quebra da Grécia ou de algum banco e passarmos por outubro e novembro com queda de juros no Brasil, a bolsa brasileira pode melhorar", opinou.


Varejo e construção em baixa

Nesta sexta, entre as ações do Ibovespa, as maiores quedas ficaram com os setores de consumo e construção.

A Hypermarcas teve o pior desempenho, desabando mais de 9%, a R$ 8,84, seguida por B2W, com baixa de 6,9%, a R$ 14,70, e por Gafisa, com perda de 6,77%, a R$ 5,37.

O Goldman Sachs reduziu seu preço-alvo para os papéis da B2W e outros do setor de consumo, por considerar que a desaceleração do crescimento da economia brasileira e a queda na confiança do consumidor indicam um consumo mais fraco no segundo semestre.

Entre as poucas altas da carteira teórica neste pregão, destaque para Marfrig , com valorização de 6,79%, a R$ 6,13.

A ação do frigorífico, porém, tem a maior queda acumulada dentro do Ibovespa, com perda de mais de 60%, em meio às preocupações com o endividamento da empresa.